Ana Teresa

Por Viviane França(*)

Hoje, na Coluna da Mulher, recebo Ana Tereza, Superintendente do Consórcio Mulheres das Gerais, para uma conversa sobre sua atuação e os desafios de promover políticas públicas voltadas às mulheres. O consórcio, criado em 2008, hoje reúne 13 cidades: Belo Horizonte, Betim, Contagem, Conselheiro Lafaiete, Divinópolis, Itabira, Lagoa Santa, Nova Lima, Nova Serrana, Raposos, Ribeirão das Neves, Sabará e Santa Luzia.
No início de 2024, a Prefeita Marília foi convidada a assumir a Presidência do Consórcio. Ela me chamou para exercer a articulação política e a gestão, e convidei a Ana Tereza, que à época, respondia pela chefia do meu Gabinete na Secretaria de Defesa Social. Pela capacidade de liderança que sempre demonstrou e pela confiança que deposito nela, indiquei-a para ser a Superintendente do Consórcio.
A principal missão do Consórcio Mulheres das Gerais é fortalecer políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, assegurando a aplicação plena da Lei Maria da Penha. Além disso, oferece abrigamento temporário e sigiloso para mulheres em risco de morte, com acompanhamento psicossocial para garantir que elas encontrem novas perspectivas de vida.

Ana, como é estar à frente do Consórcio Mulheres das Gerais? Quais são seus maiores desafios?
É ao mesmo tempo, desafiador e transformador. Quando assumi a superintendência, não fazia ideia da dimensão desse trabalho. Além dos processos administrativos e burocráticos, ser responsável pelo consórcio significa lidar diretamente com vidas humanas. A Casa-Abrigo Sempre Viva (CASV) representa a parte mais complexa e sensível desse trabalho. Cada decisão impacta a vida de mulheres que enfrentam situações de extrema vulnerabilidade. Cada história é diferente, o que exige sensibilidade, empatia e coragem.
Me lembro que, logo no início, em uma das visitas ao CASV, uma das educadoras que atuava lá já me contou que havia sido abrigada anteriormente. Ela tinha passado por uma violência muito grave em casa, e aquele relato me marcou profundamente. Percebi que muitas histórias semelhantes – ou até mais impactantes – seriam parte do meu dia a dia. É impossível não se emocionar ao ver as consequências físicas e emocionais que a violência causa. A baixa autoestima e a dificuldade de se reconhecerem como merecedoras de uma vida melhor são marcantes. Em contrapartida, presenciar a transformação dessas mulheres, quando conseguem romper o ciclo de violência, é extremamente gratificante.
Pessoalmente, sinto que me tornei outra pessoa: ganhei um olhar mais atento, mais sensível às mulheres em situação de vulnerabilidade. Cada vivência delas me transformou, reforçando minha disposição de lutar por seus direitos e pela construção de novas oportunidades.

Como funcionam as visitas aos municípios? Há troca de experiências e busca de soluções conjuntas?
As visitas são fundamentais para fortalecer a rede de proteção às mulheres. Quando começamos a gestão, percebemos que era preciso aproximar mais os municípios consorciados. Assim nasceu o projeto “Consórcio Itinerante”, idealizado pela Marília, buscando conhecer de perto a realidade de cada local, firmar parcerias e promover trocas de experiências.
Cada município tem necessidades específicas. Alguns contam com uma rede mais ampla e estruturada, outros ainda estão em processo de construção da rede de atendimento para mulheres vítimas de violência. Essa troca é fundamental: cada cidade compartilha soluções e desafios. Um exemplo marcante é Itabira, que desenvolveu iniciativas de empregabilidade para mulheres. Agora, queremos levar essa inspiração para outros lugares.
Nos encontros, também oferecemos materiais informativos, capacitações e discussões sobre casos de sucesso. Esse intercâmbio fortalece as políticas públicas e salva vidas! Quando a rede se une, o enfrentamento à violência ganha força, e o caminho para a transformação social se torna cada vez mais possível.
Quando os municípios se unem para trocar experiências e fortalecer redes de proteção, conseguimos ampliar o alcance das ações, promover acolhimento seguro e garantir oportunidades de recomeço. É essencial que o poder público, as instituições e a sociedade civil trabalhem lado a lado, apoiando e capacitando mulheres para que, juntas, possamos ajudar a romper ciclos de violência e construir um caminho mais digno e feliz para todas!

*VIVIANE FRANÇA é Mulher, Advogada, Pesquisadora, Mestre em Direito Público, Especialista em Ciências Penais, autora do livro Democracia Participativa e Planejamento Estatal: o exemplo do plano plurianual no município de Contagem. Secretária de Defesa Social de Contagem/MG, Sócia do França e Grossi Advogados.

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